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Gustavo Almeida

ANÁLISE | Fala de petista sobre presidência da Alepi ameaça harmonia da base na hora errada

PT antecipa corrida pelo comando do legislativo e incomoda o MDB no momento em que Rafael tenta mobilizar a base aliada para ajudar a salvar Lula.

Deputado estadual petista Francisco Limma (Foto: Andressa Martins/DitoIsto)

Apenas dois dias após as eleições que consagraram o palanque governista no Piauí como vencedor e o PT como maior bancada na Assembleia Legislativa do Piauí, alguns petistas já começaram colocar em prática a ambição do partido pela presidência do parlamento estadual. O deputado reeleito Francisco Limma foi um dos primeiros a fazê-lo.

Em entrevista na terça-feira (6.out), ele sinalizou que o PT tem direito de ficar com a presidência da Alepi no biênio 2027-2028 porque elegeu a maior bancada. A federação do PT fez 14 deputados estaduais contra oito do MDB. Limma ainda mencionou o que ele chama de “acordo tácito” para que as duas maiores bancadas da casa se revezem na presidência. Em outras palavras, quis dizer que o MDB agora deve dar a vez ao PT.

O deputado petista ainda foi além: apontou uma suposta impossibilidade de o atual presidente Severo Eulálio (MDB) pleitear a reeleição, o que é contestado. Severo pode concorrer de novo, assim como os atuais presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. 

Na mesma entrevista, Limma colocou o nome à disposição para postular o comando do legislativo.

Essa precipitação do debate sobre a presidência da Alepi por parte dos petistas não foi bem recebida por outros setores da própria base do governo. O MDB, obviamente, é um dos mais incomodados. O entendimento é de que falta respeito. O PT elegeu a maior a bancada, mas o MDB é o maior partido aliado e está na cadeira.

Não bastasse isso, a abertura precoce desse flanco de disputa vem em um momento inadequado. Acontece justamente quando o governador Rafael Fonteles tenta mobilizar sua base para ajudar a reforçar a eleição de Lula, que corre sério risco de ser derrotado por Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da disputa presidencial. É o governador querendo juntar o time para salvar Lula e alguns petistas dividindo pela presidência da Alepi.

Gerar desarmonia com o maior partido aliado nesse momento é, certamente, tudo que o governador não quer.

Severo Eulálio (Foto: Andressa Martins/DitoIsto)

O atual presidente da Alepi, Severo Eulálio (MDB), tem evitado falar sobre a disputa pelo próximo biênio. Ele saiu das eleições bastante fortalecido, com a maior votação entre todos os deputados estaduais eleitos e com aliados projetando a ascensão de sua liderança para empreitadas políticas futuras. Com perfil sereno, equilibrado e conciliador, Severo tem a gestão na presidência bem avaliada pelos pares.

O PT já se precipitou em outras tentativas de ficar com o comando da Alepi. Talvez esse não seja o momento de se precipitar de novo, afinal, como diz o ditado popular, o apressado come cru.

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